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Cláudia Rabelo - Astrologia Terapêutica

astrologia terapêutica

A mudança na abordagem da astrologia depois de Jung. A análise do mapa como orientação nos períodos críticos da vida, o exemplo do ciclo de saturno.

A Astrologia antes e depois de Jung
 
Podemos dizer que a astrologia é um dos saberes mais antigos do mundo, desde que o homem começou a olhar com fascínio e temor para o céu e observar os ciclos da lua e o aparente movimento do sol e das estrelas esse conhecimento vem evoluindo em diferentes perspectivas. Os arqueólogos encontraram vestígios do estudo da astrologia em todas as civilizações antigas como a China, Índia, Babilônia e Grécia há mais de 5.000 anos.

No início, os antigos acreditavam que as estrelas eram Deuses que controlavam nosso destino, atribuindo a elas nosso infortúnio ou boa sorte. Hoje é diferente, na medida em que ampliamos a consciência não culpamos mais o mapa por escolhas que fazemos, ele serve a uma compreensão mais ampla de nossos processos psíquicos e movimentos na vida.

 As estrelas errantes, que hoje conhecemos como planetas, foram batizadas com os nomes das divindades gregas mercúrio, vênus, marte, jupiter e saturno. Na modernidade, os astrônomos continuaram a batizar os outros planetas descobertos com nomes dos deuses olímpicos; urano, netuno e plutão. Hoje Plutão não é mais considerado um planeta, porém ele continua a ser analisado no mapa natal como o arquétipo da morte e renascimento.

A astrologia e astronomia caminhavam juntas, conhecer as estrelas e associar o movimento delas a um impacto na vida do indivíduo e da coletividade na terra era muito natural.  A partir do séc XVII com o advento do iluminismo, movimento social e político, há uma mudança, além da oposição ao absolutismo dos reis a ciência vai duvidar desses fenômenos, vai por tudo a prova, terá uma ambição em conhecer a verdade se opondo aos dogmas da igreja, aos mistérios da fé e as crenças de todo tipo, nesse contexto a astrologia se inseriu como crendice popular.

Renée Descartes foi representante da Revolução Científica e defensor da teoria de que o homem vem ao mundo isento de idéias preconcebidas, diferente do racionalista, compreendemos nesse tempo o conceito de arquétipos e realidade da psique proposto por Jung. Sabemos que tudo o que faz parte da nossa realidade deriva das imagens psíquicas. O mérito da astrologia está em revelar nossas estruturas internas através das imagens simbólicas contidas no mapa.

Jung diz que a astrologia merece o reconhecimento da psicologia sem restrições, pois ela representa a soma de todo conhecimento psicológico do mundo antigo. 

No séc XX após a década de trinta, a astrologia tomou um rumo mais psicológico, o determinismo centrado nos acontecimentos, começou a ceder lugar à análise centrada na pessoa. Antes, o mais interessante era o acontecimento, depois de Jung o sujeito e sua vida interior passaram a ser o foco de interesse. O pioneiro deste movimento chamado de astrologia humanista foi o francês Dane Rudhyar, que após ler alguns livros de Carl Jung traduzidos para o inglês, deu início a análise psicológica do mapa natal em analogia com os conteúdos da psicologia analítica. Uma astrologia dinâmica que busca um sentido nas ações humanas onde a linguagem simbólica representa não um determinismo dos deuses e sim o princípio da sincronicidade com a máxima: “Assim como é em cima é embaixo”.

A partir dessa nova compreensão a pessoa busca entender o momento que está passando como um processo de desenvolvimento psíquico onde ela pode identificar suas vulnerabilidades e potencialidades, reconhecer suas limitações e iniciar seu processo de transformação, integrando seus aspectos inconscientes que estão simbolizados no mapa.

A mandala astrológica aponta às direções, os caminhos de vida através de uma linguagem simbólica que é própria da astrologia, porém tem fluente dialética com os elementos da psicologia analítica. Podemos dizer que o mapa permite uma projeção da psique, assim como nossos ancestrais simbolizavam suas questões da vida no céu na forma dos mitos das constelações.
 
Astrologia e os Ritos de Passagem – O exemplo do Ciclo de Saturno
 
 O renomado astrólogo e psicólogo, o escritor Stephen Arroyo inspirado em Jung se dedica a astrologia como instrumento de orientação psicológica. Ele cita Joseph Campbell que ensina que o mito tem três funções essenciais: provocar um sentimento de temor respeitoso, originar uma cosmologia e iniciar o indivíduo nas realidades da sua própria psique, Arroyo afirma que o uso adequado da astrologia preenche todas essas três funções. Ele relata ainda por sua prática de vários anos de atendimento, o que qualquer pessoa como eu que vivencio a astrologia pode comprovar:
 
“A astrologia pode fornecer a chave das iniciações (isto é, dos períodos cruciais de confrontação e crescimento acentuados) que ocorrem na vida de todas as pessoas, um padrão e uma necessidade que são ignorados pela cultura ocidental.”

         Assim como a lua inicia seus ciclos todos os meses os planetas também tem os seus. Os ciclos planetários representam períodos críticos de grande transformação e uma orientação para aquele que atravessa essa fase da vida pode trazer clareza e dinamismo ao processo de individuação; um tornar-se quem se é verdadeiramente, integrando aspectos do inconsciente e ampliando as fronteiras do eu.                                                                                                                                              
Em termos práticos, vamos para o exemplo do planeta saturno: se você completou 29 anos, experimentou o retorno de saturno que é um ciclo planetário que ocorre nessa idade. Outros ciclos com significados distintos ocorrem em idades pontuais, por exemplo, a oposição de urano (a metade do ciclo de urano) aos 42 anos, o retorno de júpiter aos 12, 24, 36, 48, e outros ciclos importantes que impõe desafios marcando etapas importantes.                        

Os planetas tem um ciclo em torno do zodíaco e eles ocorrem na mesma idade para todas as pessoas.  Explicando de outra forma; a configuração do mapa de nascimento é fixa, mas os planetas continuam em movimento e cada um deles tem períodos diferentes para passar por todos os signos até que retorna ao signo que estava quando você nasceu, então ele completa sua volta.       

A metade de um ciclo maior também tem um significado importante.  No caso do saturno, o planeta pode estar em qualquer uma das doze casas do seu mapa de nascimento, independente disso ele vai levar cerca de dois anos e meio em cada casa e depois de 29 anos aproximadamente ele volta a casa e ao grau do signo que ele estava quando você nasceu, então ele terá completado o ciclo de 360° pela sua mandala.

Qual o sentido psicológico desse ciclo, e o que ele representa?

Independente dos aspectos (ligação entre os planetas por ângulos) que ele (saturno) faça com os outros planetas (Vênus, mercúrio etc.) que são diferentes em cada mapa o planeta aponta para um princípio básico de experiência, ele é um arquétipo.                                                                               

Vamos recordar a mitologia, no primeiro momento, saturno com sua foice define uma situação, foi o único filho de Gaia que se uniu a mãe e aceitou deter o poder do pai Urano.  No segundo momento por causa do medo do destino nefasto revelado pelas Eríneas após ele ter castrado o próprio pai, passa a devorar os filhos evitando assim o risco da perda do poder, mas a profecia foi cumprida e ele é então destronado pelo filho. Por causa do medo ele se torna tirano e perde a potência, o que ele mais temia aconteceu.                       

Saturno tem ressonância com o elemento terra, simboliza no mapa a busca pela estabilidade e aponta para uma definição de situações que não tem base para continuar. As várias situações podem ser um trabalho, uma relação afetiva, uma parceria, um casamento. A casa da mandala onde saturno está e seus aspectos com outros planetas irão particularizar a experiência.                                                                       

Se algo terminou nesse ciclo, sugere que faltou estrutura e maturidade para seguir em frente, saturno denuncia as bases frágeis. Algumas pessoas experimentam a morte de alguém que representava uma estrutura em sua vida; o pai, o avô, o tio, o chefe, o irmão etc. A perda do apoio pode resultar em medo diante dos desafios da vida adulta, a pessoa pode se desestruturar emocionalmente ou ela irá se apropriar dos ensinamentos e toda a estrutura que vivenciou na figura dessa pessoa para seguir adiante.                                       

O velho sábio, o senex, pai estruturante ou terrível, a sombra, seja qual for o arquétipo, saturno representa esse chamado a maturidade e responsabilidade por nossos atos. Muitas pessoas nessa fase saem da casa dos pais, se casam, separam, tem filho, se especializam em seu campo profissional almejando mais poder, estabilidade financeira e reconhecimento, mas principalmente, assumir responsabilidade social, por sua própria vida e pela vida dos outros de modo autônomo parece ser o grande chamado desse ciclo representando um rito de passagem para a maturidade.
        

A experiência de Saturno; da limitação ao senso de limite –  O exemplo de Isaac Newton e Carl Jung

Na astrologia medieval esse planeta era conhecido como o “grande maléfico”, pois um dos seus princípios é a limitação, sim, saturno é o segundo maior planeta do sistema solar, o primeiro tem o nome do filho que o destronou, júpiter. Saturno representa o limite do sistema solar visível a olho nu, a partir dele temos que usar lentes especiais para visualizar urano, netuno e plutão. A nossa visão física tem limites, é saudável reconhecer isso, não por acaso foi um capricorniano (signo regido por saturno) que inventou o telescópio trazendo a mensagem que diante do limite temos que nos capacitar e nos superar integrando nossa sombra do medo do fracasso. O físico Isaac Newton era astrólogo e foi o pai da astronomia moderna.
                                          
A realização no mundo tão almejada é expressa no mapa natal por nosso saturno pessoal e a décima casa é a parte mais alta da mandala astrológica.            

A expressão construtiva de saturno seria a noção saudável de limite, aceitação dos deveres e responsabilidades, paciência, organização, autonomia, confiabilidade e competência. A expressão negativa seria a autolimitação, inibição, medo incapacitante, negatividade constante (se antecipar somente às possibilidades de fracasso ou perigo) e rigidez.                                                             

Voltando ao capricorniano Isaac Newton, disse o cientista certa vez essa frase: “Se vi mais longe, foi por estar de pé sobre os ombros de gigantes”. Reconhecer bases firmes onde se estruturar para crescer o máximo possível é um atributo de capricórnio, signo regido por saturno.                

Na passagem do retorno de saturno em seu mapa, Jung fazia uma pesquisa experimental com o teste de associação de palavras que originou a teoria dos complexos, base da sua psicologia, e terminava um estudo na França com Pierre Janet, uma autoridade no conhecimento das desordens mentais e psicológicas.                                                                                                               
Interessante analisar a trajetória profissional de Jung a partir dessa perspectiva do simbolismo de saturno que em seu mapa ocupa a primeira casa; o campo da experiência onde os projetos se iniciam e a personalidade se afirma. Jung reviu e alterou vários de seus conceitos, mas a teoria dos complexos se manteve estruturada tal como foi criada.                                              

​No caso do mapa de Jung podemos observar Saturno em seu primeiro ciclo completo apontando para criação de bases sólidas para o crescimento, onde ele nesse período iniciou seu processo de construção e autonomia como profissional. 
Referências:
Arroyo, Stephen. Astrologia, psicologia e os quatro elementos. São Paulo: Editora Pensamento, 1993.
 
Campbell, Joseph. O desenvolvimento histórico da mitologia. In: H. A. Murray (org.), Myth and mythmaking. Nova York: George Braziller, 1960.

O RETORNO DE SATURNO COMO EXEMPLO DOS CICLOS DE DESENVOLVIMENTO PESSOAL

O RETORNO DE SATURNO COMO EXEMPLO DOS CICLOS DE DESENVOLVIMENTO PESSOAL